Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Tecnológica

Centro Tecnológico - Universidade Federal de Santa Catarina

Ciência, Tecnologia e Sociedade: E o contexto da educação tecnológica
    
   
Walter Antonio Bazzo, engenheiro mecânico, doutor em educação
    Florianópolis, Editora da UFSC, 1998. (319 páginas)

     As novas exigências do mundo contemporâneo, estampadas no cotidiano da utilização das criações da ciência e da tecnologia, que repercutem cada dia mais na vida de todos os cidadãos, mostram com grande ênfase que, da mesma forma como a própria sociedade se reorganiza para se adaptar a estes novos tempos, as escolas de engenharia, e de tecnologia como um todo, também precisam se reciclar para formar profissionais sintonizados com um novo mercado de trabalho. Este mercado de trabalho, inserido que está num contexto social de grandes mudanças, parece cada vez mais dependente de um profissional que, além de sua capacitação técnica, possa contribuir com análises críticas dos aspectos humano, social e político na produção de novas tecnologias.
    Dentro destes pressupostos, espero que o livro Ciência, Tecnologia e Sociedade e o contexto da educação tecnológica possa contribuir para despertar discussões sobre questões que, a par de suas importâncias, estão ainda incipientes no Brasil.
Conteúdo geral
1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

Com este texto procuro fazer uma análise do que é um processo educacional dentro de uma escola de engenharia para, a partir dele, propor mudanças. Faço uma radiografia deste processo ressaltando, em cada contexto, posicionamentos relativos às preocupações de ordem ideológica e didático-pedagógica. Procuro também mostrar que, mesmo em uma escola de engenharia, é possível discutir assuntos relacionados ao ensino sem, no entanto, perder de vista a importância da pesquisa científico-tecnológica como geradora de conhecimentos na área.

2. O ENSINO DE ENGENHARIA E SEUS PARADIGMAS
Ofereço um breve histórico do ensino de engenharia, uma rápida análise de sua representatividade hoje e também das suas origens epistemológicas. Junto a isso, discuto alguns aspectos, não muito considerados na área tecnológica, sobre as relações professor-aluno. Um entendimento destas relações, assim concluo, nos leva a conhecer um pouco mais as influências que a carga hierárquica exerce nestas relações e como as trocas simbolizadas que migram das relações sociais afetam a aprendizagem. Identifico também alguns dos obstáculos que truncam a criatividade durante o processo formativo.

3. CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE E SUAS IMPLICAÇÕES
Uma série de assuntos relacionados com as implicações da ciência e da tecnologia junto à sociedade contemporânea ajuda a reforçar o contexto deste trabalho. Neste sentido, busco encaminhar algumas discussões para enfatizar a importância que tais temas devem assumir nas escolas de engenharia. Discutindo entre nós professores a importância de uma sólida formação nesta área de conhecimento, imagino que atingimos o estudante, incutindo nele a responsabilidade de refletir e de trabalhar as repercussões de suas ações junto à sociedade.

4. CTS E O ENSINO DE ENGENHARIA
Nesta parte do trabalho, através de um levantamento objetivo da situação deste tema no ensino de engenharia, identifico o porquê de tais assuntos serem tão incipientes nos nossos departamentos de ensino. Além disso, defendo que mostrar que a análise e a abordagem de semelhantes temas só têm razão de ser se eles forem contextualizados para nossa realidade. A tentativa permanente de se esquivar do problema é outra questão aqui denunciada como uma maneira decisiva de perpetuar a forma acrítica como o conhecimento é tratado em nossas instituições.

5. DELINEANDO UM CONTEÚDO PROGRAMÁTICO EM CTS
Estabelecer uma estratégia de elaboração de conteúdos programáticos que possam proporcionar a formação desejada aos professores para que isso depois reflita junto aos estudantes e à sociedade como um todo é um dos objetivos que pretendo com este capítulo. Alicerçado em experiências desenvolvidas em universidades e institutos de pesquisa que há mais tempo têm em suas preocupações semelhante compromisso, pragmaticamente elaboro, a partir disso e de algumas outras constatações estabelecidas para nossa realidade, sugestões, propostas e também algumas perspectivas de ementas e programas que poderão proporcionar um ponto de partida nesta tarefa.

6. QUESTÕES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS
Para que as transformações do modelo de ensino ocorram é fundamental uma reestruturação das práticas didático-pedagógicas através de uma nova postura epistemológica dos professores. Por isso, apresento conteúdos e análises sobre os problemas atuais do ensino de engenharia, numa conversa reflexiva entre nós professores, principalmente sobre as nossas dificuldades no relacionamento direto com os alunos. Sem propor um método, mas apontando e apostando num direcionamento epistemológico diferenciado do atual modelo positivista, identifico algumas ações que poderão provocar alterações nas práticas educacionais dos professores, contribuindo para modificações no sistema de ensino de engenharia.

7. AS POSSIBILIDADES DE MUDANÇAS
Em caráter conclusivo, procuro apontar possíveis alternativas para efetivamente implementar algumas das reflexões e análises levantadas ao longo deste trabalho. Além da explicitação do meu posicionamento ideológico, que me possibilita acreditar nestas mudanças, neste capítulo trago uma proposta de implementação de ações efetivas que poderão iniciar o processo de formação de massa crítica dentro do corpo docente das mais diferentes escolas de engenharia do Brasil.

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