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Mensagem do coordenador: Maio de 2012 FORMAÇÃO DO PROFESSOR – MOTE DO COBENGE 2012
Em função dos problemas contemporâneos extremamente complexos, começa a
desaparecer a visão passiva que reinava com vigor nas escolas de engenharia do Brasil
em relação ao seu ensino. Não encontra mais muito eco a visão falaciosa de que o
conhecimento “caminha” inexoravelmente do professor em direção ao aluno fazendo desse
um mero reprodutor de conceitos e saberes já estabelecidos. A convivência com um ensino
em que as avaliações só são positivas se o ponto de vista do aluno coincidir perfeitamente
com o do professor parece estar sofrendo restrições. Estamos assumindo que a “pregação” e a cobrança vazia de que os alunos devem ser mais
criativos e críticos precisam ser feitas com maior embasamento na forma como construímos
conhecimento. A consciência em admitir que somos os primeiros a podar suas asas, quando
os submetemos a uma saraivada de informações descontextualizadas que suprem, talvez,
apenas o seu adestramento, parece ser corrente nas discussões pedagógicas atuais
processadas nos departamentos de ensino e em congressos da área. O lugar-comum da
necessidade da existência de maior criatividade por parte dos estudantes simplesmente
como uma cobrança – e sempre a ouvimos à exaustão de professores que jamais sequer
se perguntaram se a forma com que eles constroem conhecimento tem auxiliado nesta
empreendimento – perde um pouco de fôlego. Começamos a nos conscientizar que se não
mexermos no cerne da questão, que se situa na formação dos professores, qualquer crítica
ou sugestão são inócuas para estabelecer qualquer nova proposta. Existem as mais variadas implicações pelo fato de nossos cursos serem calcados em ideias
positivistas. Já tratamos deste assunto nas mais diversas situações, onde salientamos
a enorme preocupação decorrente da fragmentação de nossos currículos. Afirmamos
também que se a abordagem da construção de conhecimento fosse mais relativista,
seguramente a forma de montar os currículos e construir o conhecimento também seria
diferenciada. Mas na incipiência destas preocupações dentro de nossos modelos de ensino
atual, precisamos ser mais cautelosos e, talvez, até para não cair na mesma “arapuca” do
que sempre criticamos ser mais dialógicos, não querendo impor uma ideia que para cada
um, isoladamente, parece ser a mais correta. Esse talvez seja o grande acontecimento
do COBENGE 2012 (http://www.cobenge2012.ufpa.br/), quando muitos educadores da
área estarão reunidos para discutir as questões fulcrais em busca, talvez, de profundas
modificações na educação tecnológica. Fica evidente, quando se pensa em promover novas ideias sobre a formação de
professores, que a questão é crucial, no atual ensino de engenharia, tanto na abordagem
de ordem político-sociológica quanto epistemológica na utilização das diferentes teorias
sobre o conhecimento, e que ambas são utilizadas – e isto acontece quase sempre – sem
a identificação por parte dos docentes. Tudo isso para se pensar, principalmente quando
estamos em pleno turbilhão de ideias para a elaboração dos artigos que comporão as
sessões técnicas deste próximo COBENGE. Prof. Walter Antonio Bazzo |
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